Quarta-feira
850043 visitantes

Bem-vind@ a WAKESEED »»» Trabalhamos para facilitar a sustentabilidade pessoal e a sustentabilidade coletiva »»» Agenda connosco workshops e cursos sobre sustentabilidade a todos os níveis: sustentabilidade pessoal (inteligência emocional, eneagrama, comunicação não violenta, mindfulness, etc.) | Equilíbrio e Saúde Vital: conhece o que é a terapia prânica | Permacultura: horticultura sustentável | Escolas: desenvolvimento sustentável | E muito mais!!!!
Mostrar Menu

Destaque - APRENDER DOS ESPELHOS


APRENDER DOS ESPELHOS

APRENDER NOS ESPELHOS DOS OUTROS


Penso que muitos de nós já temos escutado aquela frase de que os humanos nos fazemos de espelho uns aos outros. Com essa frase queremos dizer que, muitas vezes, coisas que vemos nos outros, no fundo são nossas. E se calhar em grande parte é certo. Em qualquer caso aquilo que vemos nos outros e que mexe connosco, pela positiva ou pela negativa, no mínimo é uma fonte de aprendizagem sobre nós.

 

Pela negativa, há comportamentos que vemos nos outros que realmente nos incomodam. E podemos lidar com eles de três formas. A primeira é simplesmente tomar consciência de quais são os nossos valores pessoais base, e cada um de nós temos valores diferentes, que quando são violados pelos outros criam um forte impacto negativo em nós. Por exemplo, se eu me sentir profundamente incomodado pela “lata” que observo  em alguém que abusa da minha confiança, isso quer dizer que para mim o valor “respeito” é essencial no meu quotidiano, e que para mim concretamente esse conceito significa em comportamentos práticos que o outro pergunte se concordo ou não concordo, pergunte o que necessito ou não, em vez de agir de uma forma auto-centrada conforme a sua necessidade, e não considerando as variáveis anteriores. Aqui não estamos a questionar as intencionalidades dos outros, que provavelmente na maior parte dos casos terão como intuito o benefício próprio e não o fazer mal propositadamente aos outros. Com essa consciência temos a oportunidade de agir, em vez de reagir, e de tomar uma atitude concreta, por exemplo, impor limites de forma assertiva. A segunda questão tem a ver com a tomada de consciência dos nossos níveis de tolerância e de aceitação do outro, tal e como é aqui e agora, básico para o convívio entre os seres humanos, já que cada um de nós tem formas de pensar e valores diferentes.

 

E a última questão tem a ver realmente com o tal espelho. Há muitas coisas que vemos nos outros, que no fundo são comportamentos ou caraterísticas nossas, atuais ou do passado. O facto de estarem a mexer tanto connosco é porque nos estamos a reconhecer nelas e a nossa própria auto-imagem sente essa rejeição, ou por vergonha ou por dificuldade em assumir. Por exemplo eu posso sentir rejeição por pessoas que intitulo como agressivas, simplesmente porque observo que têm uma comunicação violenta. Esse mexer comigo, pode ser uma oportunidade excelente de entender que se calhar eu não sou menos agressivo, só que a minha agressividade não é verbal e sim mental. A crítica acutilante contra os outros e a própria auto-crítica são claramente atos de agressividade, num caso contra os outros e noutro caso contra nós. Se eu estiver aberto a auto-descoberta, e ao questionamento pessoal, se calhar poderei entender que por baixo duma auto-imagem de ser pacífico e sereno, se calhar há uma parte de mim claramente agressiva, e que estou a negar; e negando-a perco o controlo sobre ela. Portanto, que bem que o espelho tenha aparecido para aprender tanto sobre mim! Às vezes aquilo que me incomoda nos outros são traços de personalidade do meu passado, que eu já trabalhei e ultrapassei, mas sendo observados na atualidade noutras pessoas, se calhar tomo uma clara consciência do impacto desses comportamentos nos outros, sentido vergonha ou rejeição de mim próprio, com efeito retroativo.

 

E pela positiva, muitas vezes vemos atitudes e comportamentos nos outros que claramente admiramos e nos comovem dalguma forma. Sou da opinião de que nós também temos essas qualidades, mesmo que não estejam ainda visíveis ou desenvolvidas. O facto dessas caraterísticas mexerem tanto connosco pela positiva é sinal de que certamente estão também dentro de nós. Há partes de nós que provavelmente não temos dado “voz”, pois temos uma “personagem” principal muito desenvolvida que assume a liderança, e que não permite a expressão das outras vozes. Mas essas partes de nós continuam a estar ai, em silêncio, e quando observam outros “iguais”, simplesmente tentam falar através do nosso coração, em vez de se exprimirem com palavras ou conceitos. Os iguais reconhecem-se.

 

 

Aproveita a oportunidade de te conhecer melhor através dos outros. É uma grande descoberta.


Mário Madrigal

 

 

Voltar

2018 © Direitos Reservados Desenvolvido por: citricweb.pt